Porque me diz muito respeito.
Porque me diz muito respeito.
Só coisas bonitas… O tempo todo… Ui… Ui…
Uma jujuba para quem adivinhar em qual personagem me projetei.
Tá, uma cerveja para quem adivinhar.
[...cri cri cri cri...]
Com bafo de cachaça e muita câmera na mão.
Muito bom! Não vou recomendar.
Só que o simbólico assim em imagens é dessas coisas que me comove.
E ver esse filme justo no ano em que decido levar Nietzsche a sério…
Daí que senti vontade de falar de cinema, pagando um pau, mas sem pretensão de mandar bem feito Ju Cruz.
Tony Manero me chamou atenção por ser um filme chileno, estrelado por um “veterano” ator de teatro (Alfredo Castro) e por ter o nome do personagem de John Travolta em Embalos de Sábado à Noite. Tudo isso me deixou muito curiosa para assistí-lo. O resultado foi um embrulho no estômago. E isso é bom.
Um dançarino de cinquenta e tantos anos que é a referência maior de um grupo de dança que ensaia num bar-casa decadente ambicionando sucesso. O governo de Pinochet é um dos planos da história que se faz presente na miséria material e cultural dos personagens, na brutalidade expressada em seus gestos e relações, desde o trago de cigarro, à bilheteria do cinema, à dança… Que pode ser, inclusive, a dança do opressor e do oprimido que todos, torturador, transgressor, ou mesmo amantes, vão construindo coreografias perturbadoras. Sim, mais um tapa na cara que o cinema gosta de dar, sem afago ou sopro para a dor. Resta a face vermelha e um mínimo de reflexão a respeito do que move cada indivíduo, suas perspectivas, desejos, o indivíduo como produto do meio, yadayadayada. Falta dizer que além de broxa, dançarino e miserável, o protagonista é psicopata.
Tony Manero
Chile
2008