
Sonho que se sonha só parece mais fácil de ser realidade.

Sonho que se sonha só parece mais fácil de ser realidade.
Foram quase 5 horas caminhando. São várias as razões-motivações para fazer isso e significa, dentre outras coisas, endossar o que as experiências têm me causado. Foi uma reação à essas últimas experiências.
O tempo da caminhada é diferente. Sou eu, o espaço e o clima. A calçada é menos volátil que as pessoas.
Meu corpo tem mais resistência do que eu supunha e pode me carregar por uma distância longa, tão longa…
Mudou também a perspectiva dessa lonjura e não é instantâneo o momento em que há o encontro. Levou certo tempo para eu me tornar a caminhada, para eu estar presente e ser somente isso: eu andando. Aconteceu uma desaceleração da minha mente.
O corpo sentiu como nunca sentira antes. Ao menos foi essa a impressão despertada, uma ausência de memória corporal daquela sensação cansada, relaxada, ativa.
A cidade de São Paulo é multifacetada, sim, isso é sabido. Mas, puxa, o medo era tão grande quando passava cedo da noite pela Rangel Pestana e, na mesma proporção, foi a tranquilidade ao descer tarde da noite a Teodoro Sampaio… Mas, qualquer coisa pode acontecer em qualquer lugar. Qualquer coisa pode acontecer em qualquer lugar. Qualquer coisa pode acontecer em qualquer lugar.
Foi “a primeira vez” que passei por aquele trecho a pé. Lembrei de certo episódio: era eu, mãe e minha tia atravessando aquele viaduto, pela tarde, sol a pino, suava às bicas, muitas sacolas. Mas, daí corta para outro instante no qual me pesei na farmácia e percebi que tinha 2 quilos a menos. Disse isso para minha mãe. Minha tia ouviu e riu, disse que “imagina se fosse fácil emagrecer assim, só esse passeio já se fazer perder 2 quilos…”. O tom dela me incomodou muito, o tom dela sempre me incomodava. Minha mãe concordando com ela e com certa ironia, ao mesmo tempo que queria me mostrar que estávamos dialogando, disse que poderia ser apenas perda de líquido do corpo, já que eu transpirava muito na caminhada. Essa coisa de passar o pano e fingir que me leva a sério… Ai, ai… Isso é mau. Sempre foi mau.
Só que dessa vez eu passava sozinha por aquele local, com muito medo e excitação (ou era tudo a mesma coisa, a mesma matéria). Havia paixão. Sempre há paixão, impressionante como…
Passando por certo trecho da Celso Garcia (não, a narrativa não terá linearidade, ora veja. Tu achas mesmo que consigo forjar linearidade ao mesmo tempo que acerto o rabo do burro, te pego na cabra/cobra-cega e ainda consigo olhar nos seus olhos e dizer as aspirações que você me desperta?). A Celso é imensa, puxa vida. De carro eu nem noto cada retalho dela, parece que a cada piscadela já é outro trecho, ela é toda fragmentada olhando de dentro do carro.
Mas, caminhando por ela in-tei-ri-nha, meu deus! Será que já passei pelo Fofinho’s? Puxa, nessa entrada eu chego na casa dele… Ou seria nessa… Eita, a igreja que… Olha esses cortiços! Barbosa… Será que foi nessa rua que entramos, já passava da meia noite, Daniel Fonseca e eu, era uma capela de São Jorge (eu não sei porque acho que era São Jorge mas, pode ser. Era próximo ao Parque São Jorge, eu acho…). Entramos na capela e era tudo tão bonito e parecia ser a primeira vez que ele também a via. Foi a noite do vinho na calçada e folheamos juntos gravuras impressionistas (deus meu, isso soa tão blasé mas, tu bem sabes como não é verdade que…) e ele me disse de seu apreço por certo pintor.
A caminhada tatuou no meu corpo o que eu já verbalizava: o sertão está em nós, o deserto, o caminho da terra prometida, o esvaziamento.
Não havia ninguém, ninguém sabia ou supunha. E foram tantas as nuances, tantas, tantas “que te deixariam tonta”.
O corpo dói na lembrança. São muitas as idéias e há um silêncio incubador bem aqui. Há o medo da construção de orações que desqualificarão toda a experiência. É como se não pudesse ser colocado em plavras mas, veja, as palavras, elas legitimam a experiência, elas são importantes a nós racionais, elas sublimam qualquer coisa que o valha, elas inscrevem na memória, parecem ul-tra-pas-sar o sensorial. “Tá vendo, eu sei dizer”= isso é o meu desdobramento em palavras, nelas existo.
Mas, as pernas extremamente doloridas, as bochechas inflamadas, o suor, o prazer… Não camarada, não cabem no poema.
H
Despi-me com a sua ajuda. Cada peça que era tirada, você especulava parte por parte que lhe surgia ao olhar até que, nua em pêlo, você se distanciou para olhar o conjunto, fanático, perdido não sei onde. Eu nem supunha o que olhava e por que olhava e, passada a jactância por sentir-me sendo admirada, veio o temor.
Olhares alucinados me perturbam, sempre os atribuo ao estado de embriaguez e penso que pode acontecer a tragédia, o prodígio ao contrário.
Daí que eu cansei do seu olhar. A seguir, você cansou de tentar me persuadir a transarmos.
Daí que você me olhava e sorria com dentes pequenos e eu morria de vergonha de sorrir de volta, somente expressava certa ironia e distração, com uma dose de indiferença. “Ele não pode saber que meu coração está quente”. De novo, sensação de sufocamento, de estrangulamento pela sua pele e calor e doçura e pegada e silêncio.
Prefiro as risadas. “Prefiro o barulho do mar”. Prefiro a perda da fala, as contrações, o abandono a seguir, como dois sacos-de-gordura-de-lipoaspiração jogados por cima da grade por Tyler Durden. Sou o saco que arrebenta e vaza gordura pelo braço, suas mãos, nuca… Asco.
Daí que sua ternura incita a minha própria a defumar todo lugar. Que cousa! Não me abre assim que sou capaz de…
H
- Que cara séria! Ou você está apaixonada, ou está triste ou está gripada.
- Acabei de ver o meu ex namorado.
- Então você está gripada.
“Existe uma teoria que prevê que a Terra é dominada por um “consórcio”, onde alguns governantes têem acordo com entidades extraterrestres, com o fim de ajuda mútua. A Terra serviria de palco para novos habitantes oriundos de experiencias hibridas entre humanos e extraterrestres, além dos sobreviventes de outro planeta que migrariam para cá, dada a provável destruição de seu habitat natural.
Os governos lucrariam durante muito tempo, pois a “invasão” se daria a longo prazo. Neste período, os avanços tecnológicos dados pelos alienígenas permitiriam curas para doenças, novas doenças, novos remédios, novas guerras, novas armas… e novos milhões arrecadados.
Além disso, o “consórcio” teria participação importante no novo planeta que estaria nascendo. A nova Terra, totalmente adaptada para receber seus novos habitantes. Com ar poluído, temperaturas altas e pouca água, seria o mundo ideal para os novos “terráqueos”.
Porém, existiria uma outra raça alienígena contra este processo. Eles garantem que podem ajudar a Terra a livrar-se do “consórcio” e de toda invasão programada para acontecer nos próximos anos.
Dizem-se irmãos e irmãs nossos, e que viriam para nos ajudar a combater a “mentira”e resgatar os princípios de amor e verdade.
Estaria então sendo dado início a uma Guerra Universal, onde o campo de batalha seria a Terra.
De um lado o “consórcio” governantes e aliens unidos para uma Nova Terra, e de outro, a “Federação da Luz”, entidades extraterrestres aliadas aos humanos para preservar o planeta tal como ele deveria ser.
Incrível, não? Bom roteiro de Ficção Científica.
Quer dizer…. será que é só um roteiro?
Segundo a australiana Blossom Goodchild, isto é mais do que verdade.
Ela teria “canalizado” uma mensagem extraterrestre que anuncia a presença de uma nave-mãe sobre algumas regiões não-especificadas da Terra no dia 14 de Outubro de 2008.”
Fonte: http://naweb.wordpress.com/2008/09/17/14-de-outubro-de-2008-o-dia-em-que-faremos-contato/
Arara, dá-me tua mão!
É o que sempre digo ao acordar.
Ela ri, daquelas gargalhadas sonoras e irritantes. Ela perde o ar e engasga no meio da risada. Encosta a mão junto ao baço, à cintura e diz:
Mas, eu sempre estou de mãos dadas contigo, tesouro.
É cheiro de fumo de rolo no ar e seus olhos são vermelhos. Não é caipora nem nada.
Mas, eu digo que não sinto sua mão não, que dessas coisas literárias só deixa cheiro na mente. Quiçá, num sonho eu sinta daqueles apertões de mão fortes, descritos nos livros, ou aquele abandono no laço de um dedo em outro, o suor e coisa e tale.
Tu me encara, Arara. Quer o quê? Meu cu? Minha alma? Minha lama? Tome tento, Arararararara… Ora, veja!
H
O quadro se chama O Homem Ferido, do pintor Gustave Courbet (1819-1877). É um auto retrato. Ele está ferido na altura do coração, resultado de um confronto e cousa e tale. Mas, radiografias feitas na década de 70 revelaram que há, por baixo do que se vê pintado hoje, um esboço diferente. Ele estava abraçado a uma mulher, dizem que era sua esposa (ou simplesmente a mãe de seu filho) e que a pintura foi alterada pelo pintor após este ter sido abandonado pela mulher. Daí, concluir que o coração ferido, em verdade…
há, por baixo do que se vê pintado hoje, um esboço diferente
há, por baixo do que se vê pintado hoje, um esboço diferente
há, por baixo do que se vê pintado hoje, um esboço diferente
Ele está ferido na altura do coração.
Quem não está ferido na altura do coração?
H