Arquivo para a categoria '[24]Escape'

Escuta o barulho do vento, vai!

Te levei pela mão na grama-lama molhada, foi pra te sentir com o pé lambido por deus. Foi pra te causar certo arrepio que te passei pela terra molhada, língua-com-língua, osso-com-osso tutanado encharcado de cousa que o valha. Por teus cabelos, sorrisos, brincadeiras, foi pelo teu ataque de asma, na falta de ar, na bombinha vazia na mochila junto ao caderno de toda poesia barata que te cochichavam no sonho e tu transcrevia, cru.
Ela pisoteava a grama verde e fresca e aquele lírio e rosa orvalhada. Ela pisoteava porque era tudo tão bonito e de coração quente e por estarmos a rodar de mãos dadas. Ela pisoteou e matou as plantas do quintal, por conta da perfeição que lembrava comercial de margarina. Ela era minha mais nova namorada “e foi justamente pra ela que eu escrevi o meu primeiro blues”. Puta que pariu, e aquela flor que ela carregou pra cima e pra baixo até enterrá-la em minhas mãos? E aquele chocolate no travesseiro! E aquela música batucada, saias e saias a rodar, éramos bem duas saias de chita no varal de sol quarado.
Escuta, e teve aquela vez na qual nenhuma nudez fora castigada. Tu me reaviva todas as minhas referências e eu podia dedicar toda a programação radialística pra ti, de Dorival Caymmi a Genival Lacerda. Perceba a sobreposição que te transforma na língua encharcada de lama sobre meus ossos, ao passo que teus cabelos se enroscam nos meus e toda nossa sinestesia que se transforma em suor e…
Sim, eu me entristeci. Anjo, tu caíste, não foi? Por que ainda vestes a auréola entortada e me instiga a essa composição descompassada e sem concordância verbal e pronominal? Nunca te pediria para cumprir suas promessas, mas implorei que não as fizesse.
Ela pisava por debaixo das rosas, onde havia merda adubando a terra. “Pisou na merda? Então abra os dedos!” Ela ria de cigarro aceso por entre os lábios, toda ela libido e merda, toda ela…
Mas, como mesclar imagens tão bonitas? Mas, que fazer se elas me vêm ao mesmo tempo? Como na noite daquela flauta-instrumento indiano. Que porra era aquela? Puxa, mas era tão bonito. Ele: mistura de Benedito Calixto com Tom Zé.
Óquei, tu já me advertiu que tem vezes que fico tão ininteligível que todas essas linhas podem ser qualquer um, desde aquele com quem montava o cavalo na infância e me agarrava para não cair, morrendo de medo, como pode ser aquele… Escuta, não é medo de dar nome aos bois, tu bem sabes. É que são matérias que se misturam mesmo. Às vezes, eu até registro aqui para não esquecer que aconteceu de verdade. Sério. Olha, eu não vou me importar com qualquer mal entendido que isso provoque. Por mais que depois, no corredor da faculdade me inquiram: Escuta, a moça do gramado, quem era? É que achei a descrição tão… Precisa…
Mas, se era precisa, por que me questiona o nome da moça? Ca-ce-te.
Bom, vamos para um daqueles dias nos quais acordávamos juntos. Quê faremos de almoço? (caralho, hoje no ônibus, parece até que eu preciso é aprender a moral da história, porque certa sensação é tão recorrente…). Daí íamos caminhando ao mercado, comprávamos o almoço. Eu assistia a TV e fazia piada de tudo o que passava (como na vez do comercial de lingerie, você me olhou com olhos infantis por baixo dos óculos e barba e disse: “Por que você não é igual a elas?” Eu quase pensei em trocar todas as minhas calcinhas e comprar desses ventiladores industriais só pra tu ver do quê que um bocado de direção-de-arte-produção é capaz!). Eu cantava, narrava tudo bem alto, até que você vinha com o prato de macarrão feito, suco e tudo mais e comíamos, tomávamos… No cu.
Mentira… Eram tempos felizes, mas hoje eu não perco a piada por nada. “Hoje nada me acalma”.

H

Aula de Dialética

um-vazio-se-faz-em-meu-peito-e-de-fato-eu-sinto-em-meu-peito-um-vazio

ai.ai.ai.ui.ui

Penso que a ansiedade é o único sentimento não inventado, porque ela se assemelha ao peito vazio de ar da criança que grita depois do tapa do médico. É a dor pelos pulmões serem inundados de ar pela primeira vez.
Os demais sentimentos são permeados por tempo-espaço, fruto da civilização, relações interpessoais, way-of-life, satus quo e qualquer cousa que o valha.

H

Eu já mandei a história tomar no cu hoje?

Historicamente o discurso da ausência é sustentado pela mulher: a Mulher é sedentária o Homem é caçador, viajante; a Mulher é fiel (ela espera), o homem é conquistador (navega e aborda). É a mulher que dá forma à ausência: ela tece e ela canta; (…) De onde resulta que todo homem que fala a ausência do outro, feminino se declara: esse homem que espera e sofre, está milagrosamente feminizado. Um homem não é feminizado por ser invertido sexualmente (sic), mas por estar apaixonado. (Mito e utopia: a origem pertenceu, o futuro pertencerá àqueles que têm algo feminino.). (BARTHES, 2001, p53).

Poesia concreta.

Não gosto de atender pessoas
Não gosto de pessoas
Exceto de meus amigos.

Eu não sei dançar

Sabe aquela do velho melhor amigo que vai casar daqui dois meses e quer te devorar sair com você enquanto a noiva está em viagem com a mãe? E aquela do emprego que não tem a mínima organização e te devolve à entediante função anterior sem breves explicações? E aquela do rapaz de nariz de palhaço que você já não sabe se é falso ou não e nem se quer mesmo tirar o nariz ou colocá-lo no seu rosto ou…
Feliz 2009.

Tem uma menina que fala mais que o homem da cândida, deixa-me muito irritada por instantes, acho que porque é das poucas que discorda de mim… Vai ver que é das poucas que de fato me escuta enquanto conversamos, porque ela sempre arruma toda e qualquer objeção ou questão a respeito do que eu falo. Ela é lesada de nascimento. Se passarem o dia juntos, será conduzido por o que ela programar. Daquele tipinho que pensa falando, então só falta narrar que está amarrando o cabelo porque ele tá curto e… Foram 4 dias nos quais eu pensei: Onde desliga essa porra? E foram dias muito gostosos, agradáveis mesmo. Porque eu gosto dessa porra pra cacilds.

H

Das botas que levei, você foi a mais bonita.

Como diria a moça bonita: Durma com essa bronca!
Ele parece o Augusto pelo sorriso, narcisismo, insegurança e necessidade de ter tudo ver-ba-li-za-do:
- Por que você se aproximou? Por que você quer me beijar? Por que está falando comigo? Por que diabos está rindo? Que cara é essa?
É mais um da Turma do Funil, da gangue do Eu Não Presto. Também é vidente e lê pensamentos. E tudo isso não passa de charlatanismo porém, além de tudo, é mais-um-que-não-sabe-que-não-sabe.
Cumpre destacar que uma estudante de Filosofia desperta certo fetiche alheio que é difícil compreender. Pode se equiparar à atração que um ativista político exercia em mim. Mas, é cômico observar o desapontamento que, pode tardar, mas, sempre sucede, as impressões do contato. Espera-se, suponho, que um sujeito que se propõe ao “exercício de pensar o pensamento” tenha “roupa para todas as ocasiões”. Seja o citador de grandes obras das ciências humanas. Seja orador, eloquente, perspicaz, culto, em suma, seja aquele que dá todas as respostas. E que toda conversa termine com “Ah!”
Puxa.
Isso foi para dizer que todos aqueles clichês foram tão bonitos: os olhares, os corpos se tocando, a aproximação e afastamento dos lábios, do rosto, hálito, cheiro do corpo, tocar os cabelos, as costas, a cintura, dizer que não presta, chamar-me de possessiva, de charmosa, de ardilosa, incomodar-se com o silêncio, risada nervosa… Dizer “Pára com isso” quando não estou fazendo absolutamente nada. Despedir-se e não ir embora, enfim, são tantos os clichês que, assim reunidos, compõem certa pureza, ingenuidade de quem conhece muito muito somente o mundo que inventou para si mesmo.
Não segui o conselho, que ao meu ver foi o xeque-mate de toda distorção aqui expressa: não agi como Buda, tampouco refreei meus desejos e impulsos, haja vista ter eu 23 anos e estar no auge, se compreendi o que disse.
São todos esses gestos, ações e vozes que montam o mosaico, a colcha de retalhos com a qual me aqueço noite-por-noite… Porque você é todos eles postos diante de mim na bandeja dourada e fico empaturrada da geração que diz não estar preparada para seguir e segue. A franqueza que se contradiz no gesto é dessas coisas que me comove. No duro.

Você está me comendo tanto pelos olhos, que eu já não sei de onde tirar forças pra te alimentar.

Híndira.

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“Enquanto isso, no lustre do castelo…”

iequetingueleguelê

"...Xanduzinha, que vergonha Espezinharam-na-fulô E chegou um chamego chamado pop Ah, puta que pariu, Bate funk bate folk Ah, puta que pariu Bate estaca, bate rock Ah, puta que pariu..."

Tic Tac Tic Tac…

Novembro 2009
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Olha só meu mais novo pecadinho!

Pega essa!