Arquivo para a categoria '[11] Baú do Raul'

Movimento Retilíneo Uniforme

ou, o Movimento Estrabista.

Segure com força a mandíbula de um tigre. Dê três voltas ao redor do seu eixo e escolha três ou quatro palavra morfologicamente ideais para seu delírio. Depois, levante uma bandeira branca como sinal de seu luto e quicá um ou dois meninos pelados para simbolizar a sua guerra suja.

Nós não temos educação. Nós somos o futuro da nação.

Redija três ou quatro manifestos durante a sua vida inteira. Plante uma árvore e ao redor dela, faça um muro de arame farpado com os dizeres: I DON’T KNOW, em húngaro. Se dirija a um monte, o maior deles, e lançe uma moeda em diração ao centro urbano. Peça um milagre, um pão com ovo e um futuro melhor a nosso filhos e primos.

Nós não somos cegos. Apenas fingimos que não vemos.

Cante uma opereta, abusando do si bémol e das cornetas. Fale palavrões do tipo: Amor, Respeito e Coleguismo. Nunca, mas nunca mesmo repita isso. Consuma sua raiva interna e lance mão de todos os seus artificios para o bem comum de sí mesmo, não esqueçendo é claro que os fins justificam a ganância. Colecione estupidez, hinos de louvações e as caras e bocas certas para todos os momentos. Não seja pego de supresa.

Nós não temos coragem. Nós estamos de Luto.

Não se esqueça de contar até cinco em cada momento de rebeldia. Não faça nada que seu pai não faria, mas faça tudo o que a tv ordena. Leia livros, compre albuns de figurinha. Cole seu nome completo em tudo o que escrever, da lista de supermercado á peça de arte ou o livro escrito. Não escreva livros.

Nós somos os passáros da nação. E amargamos com ela, a incerteza do amanhã.

O Movimento Estrabista não tem sonhos. Nós temos Metódos.

as janelas todas escancaradas, a luz invadindo cada canto do velho piso, as paredes geladas, o cheiro doce e enjoativa. fariam festa pra sua chegada ou seria recebida por um grande silêncio?

ela desejava que seu nome fosse cidade.

conto inacabado #841

As mocinhas de lilás sentam-se.

“Éramos amigos e nos tornamos estranhos. Mas é bom que assim seja, e não procuraremos dissimulá-lo ou ocultá-lo, como se disso devêssemos nos envergonhar. Tal como dois navios que seguem cada qual seu caminho e seu fim próprios: assim sem dúvida poderemos nos cruzar e celebrar festas entre nós como já o fizemos – e então os bons navios descansavam lado a lado no mesmo porto, sob o sol, tão calmos que se diria já terem alcançado seu fim e sempre terem tido o mesmo destino. Mas logo depois o apelo irresistível de nossa missão nos arrastava novamente para longe um do outro, cada qual por mares, por paragens, sob sóis diferentes – talvez para nunca mais nos vermos, talvez também para nos vermos uma vez mais, mas sem nos reconhecermos mais: mares e sóis diferentes devem ter-nos mudado!”

Quero interromper a conversa num dado momento e falar desta imagem que me surge. É apenas uma citação de Nietzsche que li recentemente num livro interessantíssimo. Não é apenas uma citação de Nietzsche que li recentemente num livro. É mesmo a imagem de uma angústia. Mas como é que a gente se levanta de uma poltrona, no meio de uma festa lotada, o copo de cerveja já quente na mão pra dizer uma citação, como quem simplesmente se lembrou que havia esquecido de comentar que? Como é que a gente se expõe desta maneira? Como é que a gente que deseja ficar bem quietinho, só observando, levanta a mão pra escancarar um trauma recém-descoberto? Como é que a gente explica pra pessoas tão queridas que nossa fraqueza é na verdade a realização de um grande projeto? Como é que a gente esboça um sorriso com a cabeça latejando de imagens cortantes?

Nu.

Lembro-me de vocês quando entristeço.
Quando fico feliz, esqueço de quem eu sou.

Ou seria o contrário?

Interrompemos a programação para…

- Brasil: colocaram as nossas bundas na janela!

Mari[n]a Misson.

Gertrud

“O que um homem é para si e o que vive interiormente, de que maneira se torna outro e cresce e adoece e morre, tudo isso é inenarrável. A vida do homem laborioso é enfadonha; interessantes são os modos de existência dos vagabundos. Por mais rico que aquele tempo permaneça na minha recordação, nada posso dizer a seu respeito, porque eu estava fora de toda a convivência homana e social.” [Herman Hesse, Gertrud, pg. 50]

Ainda me encontro ausente. Peça a mamãe que recolha as roupas do varal, peça a ela que deixe as cartas que chegam dentro da segunda gaveta, peça que ela não se preocupe em deixar um prato preparado pra mim. Eu não volto essa noite, mamãe. Vou ficar aqui, deitado nesta cama, esperando que o sol baixe, que o dia passe e quando reunir todas as forças, levanto-me calmamente e apanho o violino e organizo todos os sons perdidos dentro de minha cabeça de aleijado.

Ora, mamãe. Não era você que me dizia que o mundo lá fora era muito perigoso, que não se devia confiar em ninguém, que devíamos sempre escolher o caminho certo? Pois eu sou esse violinista medíocre, sou essa pessoa medíocre e só preciso me afundar um pouco na dor que tenho, preciso respeitar essa minha perna dura, essa minha deficiência, preciso afundar nisso tudo e pegar impulso para ascender.

Ora, mamãe. Você não vai acreditar nessas coisas que leio trancada aqui no quarto, certo? Certo?

Pamitria Trisson

Poema sobre o desamparo ou qualquer outro nome que você quiser dar a isso que segue

Era eu o cara que entrou na sala, era eu a mulher dele. Eu, a mulher dele, estava com a mala pronta para me ir, para deixá-lo, a mala posta ao lado do sofá, eu posta sobre o sofá. Eu, o homem, o cara que entrou na sala, esposo da mulher posta sobre o sofá, me ajeitei ao lado dela, deitei-me, a cabeça aninhei sobre o colo dela. Eu contei a ela, como meu amigo, eu mesmo, havia sido deixado pela esposa, também eu mesma, porque eu já estava há bastante tempo sem trabalho. Contei como meu amigo, eu, que se encontrava há algum tempo calado demais, como quem matuta uma idéia mais antiga que os homens, voltei para casa à noite e me joguei da janela. Porque meu amigo, eu mesmo, não poderia ter caído, ninguém cai de uma janela, isso não existe. As pessoas se jogam. Pois contei isso a ela, que era também eu, e ela, chorou. Eu, a esposa desse homem, que iria deixá-lo para trás, provavelmente para sempre, estiquei a mão, e cobri a mala com a minha blusa, para que meu marido, eu mesma, não percebesse que estava para ir, porque eu já permaneceria e nada no mundo me faria deixá-lo. Então eu, eu mesmo, sentado naquela cadeira, a mais sozinha da cadeiras, desatei meu choro como a criança que sou.

Yanes Antiago

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“Enquanto isso, no lustre do castelo…”

  • hindira "Perguntaram ao Mussum se ele gostava de música clássica e ele respondeu: Brahms" #soheuri 14 hours ago
  • Não vou falar feito Tim Maia com o Universo Em Desencanto, mas O Lobo da Estepe é desses livros que... 16 hours ago
  • @eusoushe_ra Usa o outro vai! A música da Xuxa tá na minha cabeça e eu não queria dar um unfollwou em ti, sabe... 16 hours ago

iequetingueleguelê

"...Xanduzinha, que vergonha Espezinharam-na-fulô E chegou um chamego chamado pop Ah, puta que pariu, Bate funk bate folk Ah, puta que pariu Bate estaca, bate rock Ah, puta que pariu..."

Tic Tac Tic Tac…

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Olha só meu mais novo pecadinho!