Arquivo para Fevereiro, 2009

stunPea

- Saia de cima de mim com esse seu osso sujo! Eu não quero saber de ossos! Dê o fora, já disse!
- Hum! Não vejo por que ela não quis… Um osso que ainda não havia sido tocado por mãos humanas!

(Charles M. Schulz)

stuPean

- Eu acho você maravilhoso, Charlie Brown! Bonito, inteligente e enormemente charmoso!
- Primeiro de Abril?
-Hum hum… Primeiro de Abril!
-Eu já imaginava! # AI #

(Charles M. Schulz)

O meu corpo.

Foram quase 5 horas caminhando. São várias as razões-motivações para fazer isso e significa, dentre outras coisas, endossar o que as experiências têm me causado. Foi uma reação à essas últimas experiências.
O tempo da caminhada é diferente. Sou eu, o espaço e o clima. A calçada é menos volátil que as pessoas.
Meu corpo tem mais resistência do que eu supunha e pode me carregar por uma distância longa, tão longa…
Mudou também a perspectiva dessa lonjura e não é instantâneo o momento em que há o encontro. Levou certo tempo para eu me tornar a caminhada, para eu estar presente e ser somente isso: eu andando. Aconteceu uma desaceleração da minha mente.
O corpo sentiu como nunca sentira antes. Ao menos foi essa a impressão despertada, uma ausência de memória corporal daquela sensação cansada, relaxada, ativa.
A cidade de São Paulo é multifacetada, sim, isso é sabido. Mas, puxa, o medo era tão grande quando passava cedo da noite pela Rangel Pestana e, na mesma proporção, foi a tranquilidade ao descer tarde da noite a Teodoro Sampaio… Mas, qualquer coisa pode acontecer em qualquer lugar. Qualquer coisa pode acontecer em qualquer lugar. Qualquer coisa pode acontecer em qualquer lugar.
Foi “a primeira vez” que passei por aquele trecho a pé. Lembrei de certo episódio: era eu, mãe e minha tia atravessando aquele viaduto, pela tarde, sol a pino, suava às bicas, muitas sacolas. Mas, daí corta para outro instante no qual me pesei na farmácia e percebi que tinha 2 quilos a menos. Disse isso para minha mãe. Minha tia ouviu e riu, disse que “imagina se fosse fácil emagrecer assim, só esse passeio já se fazer perder 2 quilos…”. O tom dela me incomodou muito, o tom dela sempre me incomodava. Minha mãe concordando com ela e com certa ironia, ao mesmo tempo que queria me mostrar que estávamos dialogando, disse que poderia ser apenas perda de líquido do corpo, já que eu transpirava muito na caminhada. Essa coisa de passar o pano e fingir que me leva a sério… Ai, ai… Isso é mau. Sempre foi mau.
Só que dessa vez eu passava sozinha por aquele local, com muito medo e excitação (ou era tudo a mesma coisa, a mesma matéria). Havia paixão. Sempre há paixão, impressionante como…
Passando por certo trecho da Celso Garcia (não, a narrativa não terá linearidade, ora veja. Tu achas mesmo que consigo forjar linearidade ao mesmo tempo que acerto o rabo do burro, te pego na cabra/cobra-cega e ainda consigo olhar nos seus olhos e dizer as aspirações que você me desperta?). A Celso é imensa, puxa vida. De carro eu nem noto cada retalho dela, parece que a cada piscadela já é outro trecho, ela é toda fragmentada olhando de dentro do carro.
Mas, caminhando por ela in-tei-ri-nha, meu deus! Será que já passei pelo Fofinho’s? Puxa, nessa entrada eu chego na casa dele… Ou seria nessa… Eita, a igreja que… Olha esses cortiços! Barbosa… Será que foi nessa rua que entramos, já passava da meia noite, Daniel Fonseca e eu, era uma capela de São Jorge (eu não sei porque acho que era São Jorge mas, pode ser. Era próximo ao Parque São Jorge, eu acho…). Entramos na capela e era tudo tão bonito e parecia ser a primeira vez que ele também a via. Foi a noite do vinho na calçada e folheamos juntos gravuras impressionistas (deus meu, isso soa tão blasé mas, tu bem sabes como não é verdade que…) e ele me disse de seu apreço por certo pintor.
A caminhada tatuou no meu corpo o que eu já verbalizava: o sertão está em nós, o deserto, o caminho da terra prometida, o esvaziamento.
Não havia ninguém, ninguém sabia ou supunha. E foram tantas as nuances, tantas, tantas “que te deixariam tonta”.
O corpo dói na lembrança. São muitas as idéias e há um silêncio incubador bem aqui. Há o medo da construção de orações que desqualificarão toda a experiência. É como se não pudesse ser colocado em plavras mas, veja, as palavras, elas legitimam a experiência, elas são importantes a nós racionais, elas sublimam qualquer coisa que o valha, elas inscrevem na memória, parecem ul-tra-pas-sar o sensorial. “Tá vendo, eu sei dizer”= isso é o meu desdobramento em palavras, nelas existo.
Mas, as pernas extremamente doloridas, as bochechas inflamadas, o suor, o prazer… Não camarada, não cabem no poema.

H

stPeanu

- Acho que você e eu estamo-nos entendendo cada vez melhor, Schroeder… Enquanto você estava tocando essa música de Beethoven eu disse pra mim mesma: que maravilha! E então eu pensei que se você gosta de Beethoven e eu gosto de Beethoven esta experiência deve ser compartilhada!
- Eu estava tocando Brahms!

(Charles M. Schulz)

Parla Che Te Fa Bene

Julgo que você entrou num mau caminho. Expôs uma criatura simples, que lava louça e faz renda, com as complicações interiores da menina habituada aos romances e ao colégio. As caboclas de nossa terra são meio selvagens (…). Como pode você adivinhar o que se passa na alma delas? Você não bate bilros nem lava roupa.(…) Você não é Mariana, não é da classe dela. Fique na sua classe. Apresente-se como é, nua, sem ocultar nada.

(trecho da carta enviada por Graciliano Ramos para sua irmã, Marili Ramos, na ocasião em que ela publica o conto Mariana, em 1949)

Como Os Mercados Realmente Funcionam

Moça despirocada no gramado

Churrasco no gramado da faculdade. A presença da moça me afetou. Essa é a única versão séria. As demais são especulações.
1) Ela foi até lá atrás de mim, quando me avistou e viu que eu podia vê-la, desatou a sapatear. Puxava qualquer pessoa para perto de si e fazia questão de ficar próxima a mim, na minha linha de visão. Ela queria barraco.

Ela sempre me lembra ele e isso deve ser recíproco.

2) Algum amigo dela entrou na faculdade, num dos cursos que estavam festejando naquele gramado. Ela foi lá fazer festinha para esse novo amigo. Por mera coincidência estávamos no mesmo lugar. Ela já estava dançando feito uma pomba gira antes de me avistar.

3) Ela só estava de passagem mas, me viu e parou. “Aí não, neguinho. Aí eu vou ter que zuar!” Começou a pular feito pulga no cobertor, começou a dançar justo com o rapaz que todo mundo estava se perguntando de onde tinha surgido (ele a-ni-qui-lo-u uma esquete que tinha sido feita um pouco mais cedo). Eu vi que ela me procurava com os olhos. Procurava para que?

4) Eu estava lá no gramado, comendo carne crua e bebendo refrigerante. Avistei a moça pulando feito macaco. Lancei o meu “putz grilla” ao vento. Procurei parceria, a fim de praguejar contra a bendita. Saí do campo de visão dela, peguei aquela garrafa de aguardente com o amigo e dei gole no gargalo. Ela me procurava com os olhos. Eu também a procurava. Acendi um cigarro, praguejei mais. “Calma, calminha alma minha” me diziam.

A verdade é que sinto compaixão, sinto vontade de sentar numa mesa de bar e conversar até preencher o engradado de cascos. Até o ônibus acabar e eu dizer: “Durma na minha casa, ora veja. O que passou, passou. Pas-so-u.”
Mas, sou aquele tipo de gente que sentiu dó do Saddan Hussein em seu momento de morte, de modos que…

H

Próxima Página »


“Enquanto isso, no lustre do castelo…”

iequetingueleguelê

"...Xanduzinha, que vergonha Espezinharam-na-fulô E chegou um chamego chamado pop Ah, puta que pariu, Bate funk bate folk Ah, puta que pariu Bate estaca, bate rock Ah, puta que pariu..."

Tic Tac Tic Tac…

Fevereiro 2009
S T Q Q S S D
« Jan   Mar »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
232425262728  

Olha só meu mais novo pecadinho!