Como diria a moça bonita: Durma com essa bronca!
Ele parece o Augusto pelo sorriso, narcisismo, insegurança e necessidade de ter tudo ver-ba-li-za-do:
- Por que você se aproximou? Por que você quer me beijar? Por que está falando comigo? Por que diabos está rindo? Que cara é essa?
É mais um da Turma do Funil, da gangue do Eu Não Presto. Também é vidente e lê pensamentos. E tudo isso não passa de charlatanismo porém, além de tudo, é mais-um-que-não-sabe-que-não-sabe.
Cumpre destacar que uma estudante de Filosofia desperta certo fetiche alheio que é difícil compreender. Pode se equiparar à atração que um ativista político exercia em mim. Mas, é cômico observar o desapontamento que, pode tardar, mas, sempre sucede, as impressões do contato. Espera-se, suponho, que um sujeito que se propõe ao “exercício de pensar o pensamento” tenha “roupa para todas as ocasiões”. Seja o citador de grandes obras das ciências humanas. Seja orador, eloquente, perspicaz, culto, em suma, seja aquele que dá todas as respostas. E que toda conversa termine com “Ah!”
Puxa.
Isso foi para dizer que todos aqueles clichês foram tão bonitos: os olhares, os corpos se tocando, a aproximação e afastamento dos lábios, do rosto, hálito, cheiro do corpo, tocar os cabelos, as costas, a cintura, dizer que não presta, chamar-me de possessiva, de charmosa, de ardilosa, incomodar-se com o silêncio, risada nervosa… Dizer “Pára com isso” quando não estou fazendo absolutamente nada. Despedir-se e não ir embora, enfim, são tantos os clichês que, assim reunidos, compõem certa pureza, ingenuidade de quem conhece muito muito somente o mundo que inventou para si mesmo.
Não segui o conselho, que ao meu ver foi o xeque-mate de toda distorção aqui expressa: não agi como Buda, tampouco refreei meus desejos e impulsos, haja vista ter eu 23 anos e estar no auge, se compreendi o que disse.
São todos esses gestos, ações e vozes que montam o mosaico, a colcha de retalhos com a qual me aqueço noite-por-noite… Porque você é todos eles postos diante de mim na bandeja dourada e fico empaturrada da geração que diz não estar preparada para seguir e segue. A franqueza que se contradiz no gesto é dessas coisas que me comove. No duro.
Você está me comendo tanto pelos olhos, que eu já não sei de onde tirar forças pra te alimentar.
Híndira.