Arquivo para Novembro, 2008

Das botas que levei, você foi a mais bonita.

Como diria a moça bonita: Durma com essa bronca!
Ele parece o Augusto pelo sorriso, narcisismo, insegurança e necessidade de ter tudo ver-ba-li-za-do:
- Por que você se aproximou? Por que você quer me beijar? Por que está falando comigo? Por que diabos está rindo? Que cara é essa?
É mais um da Turma do Funil, da gangue do Eu Não Presto. Também é vidente e lê pensamentos. E tudo isso não passa de charlatanismo porém, além de tudo, é mais-um-que-não-sabe-que-não-sabe.
Cumpre destacar que uma estudante de Filosofia desperta certo fetiche alheio que é difícil compreender. Pode se equiparar à atração que um ativista político exercia em mim. Mas, é cômico observar o desapontamento que, pode tardar, mas, sempre sucede, as impressões do contato. Espera-se, suponho, que um sujeito que se propõe ao “exercício de pensar o pensamento” tenha “roupa para todas as ocasiões”. Seja o citador de grandes obras das ciências humanas. Seja orador, eloquente, perspicaz, culto, em suma, seja aquele que dá todas as respostas. E que toda conversa termine com “Ah!”
Puxa.
Isso foi para dizer que todos aqueles clichês foram tão bonitos: os olhares, os corpos se tocando, a aproximação e afastamento dos lábios, do rosto, hálito, cheiro do corpo, tocar os cabelos, as costas, a cintura, dizer que não presta, chamar-me de possessiva, de charmosa, de ardilosa, incomodar-se com o silêncio, risada nervosa… Dizer “Pára com isso” quando não estou fazendo absolutamente nada. Despedir-se e não ir embora, enfim, são tantos os clichês que, assim reunidos, compõem certa pureza, ingenuidade de quem conhece muito muito somente o mundo que inventou para si mesmo.
Não segui o conselho, que ao meu ver foi o xeque-mate de toda distorção aqui expressa: não agi como Buda, tampouco refreei meus desejos e impulsos, haja vista ter eu 23 anos e estar no auge, se compreendi o que disse.
São todos esses gestos, ações e vozes que montam o mosaico, a colcha de retalhos com a qual me aqueço noite-por-noite… Porque você é todos eles postos diante de mim na bandeja dourada e fico empaturrada da geração que diz não estar preparada para seguir e segue. A franqueza que se contradiz no gesto é dessas coisas que me comove. No duro.

Você está me comendo tanto pelos olhos, que eu já não sei de onde tirar forças pra te alimentar.

Híndira.

“…mas, a água é muito limpa.”

Certa vez, estava fazendo um exercício de improvisação na oficina de teatro que fazia. Devia ter 16 anos. Era um grupo grande, de modo que era subdividido em vários outros grupos para que as cenas acontecessem.
Nós não tínhamos muito tempo, então combinamos a cena de maneira geral, praticamente definindo o começo, o clímax e o fim, mas, as falas, as ações, seriam improvisadas. Fazíamos pequenas marcações para que todo grupo soubesse para onde encaminhar a cena.
Não lembro de toda a cena mas, lembro da parte na qual estaria no quarto de hospital eu, o médico e minha irmã no leito. Ela morreria, eu a veria morrendo e esboçaria a reação de vê-la morrendo. Seria esse o clímax.
Pois bem, chegou o momento da morte de minha irmã, ela estava falando comigo e, de repente, não dizia mais nada e eu me aproximava de seu corpo já desfalecido. O médico fazia ao fundo uma negativa, pois ele já supunha que isso se daria.
Eu me aproximei do leito, cheguei bem perto do rosto da minha irmã, toquei sua mão, percebi sua morte e…

Larguei a mão da menina que fazia a cena comigo, levantei e comecei a dar risada.

- Desculpa, eu não consegui. Lembrei que não tenho irmã, só irmão.

Todos que assistiam a cena broxaram. Meu orientador ficou furioso, mencionou sobre o que já havia me dito acerca de autosabotagem, de eu ter talento e não ter vocação, sobre imaturidade. Levantou, foi fumar cigarro. Algumas pessoas vieram me acariciar o ombro e, também, em tom de cobrança, dizer que “estava tão bom”, “se tivesse ido até o fim”, “quase chorei”.
Saí enfurecida de lá. Andei a pé pela Amador Bueno da Veiga bem puta comigo, com os outros, com tudo que o valha. Fiquei pensando como teria sido a cena até o final e que, na verdade, ninguém iria achar tanta graça assim mas, ao mesmo tempo, eu sabia que não era a cena que estava em jogo, era algo que, certamente, não consegui e tampouco consigo segurar firme entre as mãos e muitas vezes parece que nem existe e que eu e aquela moça que vez ou outra pega umas putas comigo na Augusta… Eu e aquela moça muito bonita sabemos que existe e sentimos a presença, no entanto a gente vacila vez ou outra na caminhada, custa a acreditar, diz que paga para ver, manda ir para a casa do carai ou simplesmente vira para o lado e dorme.
Moça bonita, é para você que eu digo: Dá-lhe, dá-lhe, timão! E, certamente, meu “orientador” diria que eu novamente quebrei o clímax da cena.

Híndira.

Que cousa!

- Que cara séria! Ou você está apaixonada, ou está triste ou está gripada.
- Acabei de ver o meu ex namorado.
- Então você está gripada.


“Enquanto isso, no lustre do castelo…”

iequetingueleguelê

"...Xanduzinha, que vergonha Espezinharam-na-fulô E chegou um chamego chamado pop Ah, puta que pariu, Bate funk bate folk Ah, puta que pariu Bate estaca, bate rock Ah, puta que pariu..."

Tic Tac Tic Tac…

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Olha só meu mais novo pecadinho!

Pega essa!