Arara, dá-me tua mão!
É o que sempre digo ao acordar.
Ela ri, daquelas gargalhadas sonoras e irritantes. Ela perde o ar e engasga no meio da risada. Encosta a mão junto ao baço, à cintura e diz:
Mas, eu sempre estou de mãos dadas contigo, tesouro.
É cheiro de fumo de rolo no ar e seus olhos são vermelhos. Não é caipora nem nada.
Mas, eu digo que não sinto sua mão não, que dessas coisas literárias só deixa cheiro na mente. Quiçá, num sonho eu sinta daqueles apertões de mão fortes, descritos nos livros, ou aquele abandono no laço de um dedo em outro, o suor e coisa e tale.
Tu me encara, Arara. Quer o quê? Meu cu? Minha alma? Minha lama? Tome tento, Arararararara… Ora, veja!
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