Quando a gente come, às vezes regurgita o conteúdo gástrico (como é descrito no Houaiss) e fica um gosto amargo na boca e na garganta. Chega até a queimar por dentro.
É involuntário, incontrolável e inusitado.
Poderia dizer que é visceral? Sim, quase literalmente.
Incomoda e diz respeito ao organismo, diz respeito a si mesmo.
As coisas voltarem assim, descontroladamente e causar incômodo, quando parece que já foi digerido e consumido. Quando parece que já foi convertido em energia, ai, ai…
Diga-me, Zezé: com quantas mortes no peito se faz uma tradição? Ou o Dodó. Ou não diga, não me importo.
Porque o incômodo fatídico é assim: vem e vai. Talvez cíclico.
Mágoa. Isto é coisa que corrói e é tão egoísta, que pertence só a quem sente. Não transborda, inunda de sabor áspero somente a garganta daquele que comeu e regurgitou. Todo “o resto” é alheio à tua mágoa. Pois é.
Embora, às vezes sinta o calor do outro (Sente a minha mão na tua testa? É para aplacar a febre.), a dor do outro, não diria que se trata de piedade ou empatia ou até qualquer coisa que me una aos outros, à Substância.
Vishi, falar de Substância é estranho que nem falar Dele.
Híndira