A avenida tem um cheiro familiar. É como se eu conhecesse todos os moradores dali. Não preciso ter medo. Fumo e caminho devagar. Dou bom dia pro senhor que passa desconfiado. Uma menina tão nova perdida a esta hora por aqui. Pega o ônibus e retira um exemplar do Cortázar da mochila. Mas não lê. Estou voltando pra casa. Vou tocar a campanhia três vezes pra que minha mãe escute. Estou voltando pra casa e quase posso chamar isso de felicidade.
Arquivo para Agosto, 2007
Perguntei-me se não disse. Disse sim.
Meu corpo falou, as mãos, os olhos que te percorrem, o cheiro.
Sabe aquela coisa de: ‘…Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz…”?
Então, pare de dizer que não digo, pois digo todo dia.
Quando rio sozinha, ao escutar Nelson Gonçalves…
Ao beliscar, morder, encarar, dar cabeçada, beijar.
Ao tirar sarro, como eu grito isto quando estou tirando sarro de você!
Quando escuto aquela explicação científica para o mal que a vitamina C faz aos meus rins, ou outras figurinhas do chiclete PLOC.
Digo novamente: Ai, ai! Coração quente!
Híndira
“Lenoca, 6 anos, diz à mãe:
- Mamãe, quando eu for moça, vou me casar com Manuel Bandeira. Só se eu me esquecer!”
y
“Não há nada mais gostoso do que mim sujeito de verbo no infinitivo. Pra mim brincar. As cariocas que não sabem gramática falam assim. Todos os brasileiros deviam querer falar como as cariocas que não sabem gramática.
- As palavras mais feias da língua portuguesa são quiçá, alhures e miúde.”