[tirei da Folha de São Paulo - assim que o pacote caiu no quintal, corri pra saber as notícias antes de todos vocês - essa resenha sobre o espetáculo Nonada [Cia do Feijão] assinada por Matheus Misson.]
Num momento de impasse, de indignação geral onde nossos horizontes se estreitam, vez mais, deixando-nos a sensação de que já não há mais saída, chega Nonada:
- gente porque é gente não é inteligente?
- inteligente porque é inteligente não é gente?
[rá]
Bando de nonados inúteis! [rá]
NoNaDa
- um artista começa algo com algo, e termina algo com algo.
- uma peça teatral legal e ao mesmo tempo legal!
Morri em Burundi! E onde eu nasci?
Não fale aqui!
Morri em Burundi! E onde eu nasci?
Não fale aqui!
Morri em Burundi! E onde eu nasci?
Não fale aqui!
Agora fali!
Eu queria saber a história da minha vida!
Háháhá. Por que eu sei a história da minha vida, e também eu sei a dos outros?
Sério? – Por favor senhor conta a minha história?
Sim, eu conto, mais eu quero algo em troca se eu contar a sua história.
Oque? Como você vai querer algo em troca se eu não tenho nada para te dar, ou tenho?
Sim você tem algo, que será a última coisa que você vai falar!
- Depois de algum tempo, o garoto responde, claro que eu sei o que você quer em troca!
O que eu quero em troca?
Não sei! Mais, eu estou aqui pensando, nessa cabeçona que eu tenho que é, que é, que é…é, isso mesmo que é eu.
Bom, você é muito boa de adivinhação. Viu só e eu não disse que seria a última coisa que você ia falar.
Pera aí, pera aí, você está me querendo pra você contar a minha história.
É, é sim para eu contar sua história.
Acho que, acho que…
Para de enrolar e me fale se você quer ou não quer que eu conte sua história.
Sim, eu quero sim.
Primeiro menino, todo mundo sabe, só você não sabe.
O que me fale, me fale.
Você é mulata! Carambola, eu sempre quis ser mulata na minha vida.
Nossa, eu nunca tinha visto uma pessoa na minha vida que tenha o sonho de ser mulata.
Pois é, meu senhor agora você viu uma pessoa que tinha esse sonho que se realizou e não acredita que virou mulata.
Porque você está acreditando em você mesmo garotinho?
Não, sei não. A vida é engraçada, mais ao mesmo tempo é importante.
[meninos, corujismo às favas: eu chorei com esta última frase. TPM?]