Arquivo para Maio, 2007

“Você acha que a gente tá aqui pra quê? Pra brincar de amor?..”

Nada é autobiográfico. É importante que isto seja dito antes de pegar no sono, por frio, pelo uso do antibiótico ou por sono mesmo.
Ele me põe no colo e, acariciando meus longos cachos, canta Daniel na Cova dos Leões, imitando qualquer timbre de um Renato Russo. Mas, o cabelo é bem comprido e dá pra se emendar com qualquer outra música que seja Legião. Meus olhos ficam em seus olhos e não nos beijamos no fim, para meu desespero. Anos depois, ainda afirma que aquele beijo foi roubado.
A saia que uso é com velcro e ele a abre e fecha na rua, colada a àrvore, em plena tarde. Assim, desconheço meu corpo, enquanto minha mãe pensa que estou na academia. A estúpida música que diz: “Posso brincar de descobrir desenho em nuvens…Posso tirar a tua roupa, fazer o que eu quiser…”
O sundae vem com confetes de chocolate e minha língua e lábios brincam com eles, instantes antes de ele dizer que já não está mais comigo. Quer que eu encontre alguém legal e que eu mude meus cabelos. Anos depois, na embriaguez, chama minha mãe de sogra. Segundo minha amiga, um espírito disse que ele é o homem da vida dela. Deve ser mesmo.
Ele tem o sorriso que nem sei. O piercing no lábio inferior. Olhos atentos e mãos e bocas que não param de falar de tudo, como uma esponja, chupa o mundo, flui todo ele. Gostou do show do Chico. Nem imagina que foi meu segundo homem. Fotos, fotos, fotos; de “mãos do trabalho”, como ele mesmo diz. Um café preto e um beijo torto. A imagem de meias e cuecas na manhã mais fria do ano de chuveiro queimado.
Ele não sabe mas, não posso mirar diretamente seus olhos, é que derreto, não é desfeita.
Por mais que aqueles copos na mesa, vazios e solitários, sim… Eles sambaram pra lá e pra cá.
Você bem sabe, que esta noite será nossa e onde vai acabar. Mas, fingimos que não.
O ar mais blasé do mundo. Tento reparar se seus olhos são realmente esbugalhados como dizem mas, seu riso solto na boca vermelha não me deixa ver.
Cachos, cachos, cachos…
– Eu não vejo futuro pra gente.
– Gosto e não gosto de você.
– Mas, quanto paradoxo, Jesus!
– Não faz assim!
Faço.

Hind Fil Tel

Calcinha.

Tenho mais de vinte anos (um ano a mais)
Milhões de poesias guardadas no bolso e no peito para te cantar ao ouvido quando chegar
Receita de bolo, pipoca azeda de vinagre
O hálito jovem e olhos tímidos, como que cansados, diante da in-ter-mi-ná-vel espera
Tudo é sem precedentes, inédito e se revela somente diante de mim
Você sabe que mesmo a sua rua ou a Avenida Paulista, não têm movimento quando não há pessoas
Tirando as pessoas, em São Paulo restam pombos, ratos, baratas, gatos, cachorros e alguns pássaros para fazer barulho: a fauna urbana
Há também mosquitos, lagartixas, borboletas, abelhas, aranhas, formigas, vermes…
E eu nem me lembrava de tudo isso.

Hind Fil Tel

Multan, Paquistão.

Hindi Fil Tel tem frequentado este espaço às Zecas-Feiras.
Vive em Multan, Paquistão, seu país natal. Apaixonou- se por português e, mesmo sem domínio pleno da língua, resolveu dar suas arranhadas.
Segue pedacinhos da moça:

… e quando fica assim, tão grande, dói demais.
Sigo-te por dentre os morros e montes mais tortuosos.
Sabe aquele ponto que te dá vertigem e suor frio? Sou o vento suave que aplaca a feber.
Meu cheiro de cabelo: fruta cítrica, vermelha e caudalosa.
Seu sorriso rico e perene.
Divago sonolenta por dentre matéria e vapores.
Numa tarde, decidi escorrer os cabelos e não me deixar mais possuir pela satisfação sexual. Esta costuma não ser de total garantia.
Meu corpo pede sexo e pedia bem mais, até ficar com candidíase.
Daí, tudo da cintura para baixo, antes da coxa, tudo ali parece altamente debilitado.
O grande interesse por mudança de postura e foco lateja.
Vapores que queimam a pele ficam mais evidentes.
Daí, o grito sai.
Quis que teus olhos mirassem os meus por longas horas. Teus minutos assim dispostos, como ceia à mesa, tudo que mais queria era ter fôlego e não me intimidar de lhe cantar uma canção.
Provavelmente, ficaria vermelha, de voz desafinada mas, isto seria tão vivo que o silêncio precedido da inspiração… nele não haveria nada. Então o instante seguinte surge pávido, novo, incomum.
Roxo, inchado, disforme e ignorante.
Deflora-se o tempo sem nostalgia, demarcado por negativas assassinas. Despidos, sente o calor tão grande, o furor tão concentrado e gozo tão profundo, que paro de ser uma punheteira em busca do fim da linha.

No párachoque

Havia isto em cada copo d’água:

“E nesta sobrevida sigo, babando, abanando o rabo feito cão, comendo a lavagem dos porcos e me prostituindo por um pouco de afeto. Termina que só tomo no cu.”

“Quiçá te matar,nem que somente na imaginação porém a imperfeição é tamanha, que nem assim o faço.”

” E se você disser que me ama, ao invés de te engrandecer, tornar-te-ei pequenino, insignificante e repugnante como eu, ao passo que se me repelir, tão grandioso estará no pedestal armado por mim e nenhuma estrela poderá jamais ofuscar seu brilho”

“Porque, digno mesmo é aquele que me cospe na cara. Aprendi isto com Cristo.”

Hind Fil Tel


“Enquanto isso, no lustre do castelo…”

iequetingueleguelê

"...Xanduzinha, que vergonha Espezinharam-na-fulô E chegou um chamego chamado pop Ah, puta que pariu, Bate funk bate folk Ah, puta que pariu Bate estaca, bate rock Ah, puta que pariu..."

Tic Tac Tic Tac…

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Olha só meu mais novo pecadinho!