Arquivo para Abril, 2007

Eu vi.

CLÓVIS ROSSI

Mais democracia, não menos
SÃO PAULO – A prisão do bicheiro Aílton Guimarães Jorge pode servir de excelente ajuda-memória ao leitor que, desesperado pela insegurança, pela corrupção e outros problemas mais, começa a clamar para volta dos militares.
Quem é Guimarães, apelidado de “Capitão”? Foi, sim, capitão. Do Exército brasileiro. Destinado ao DOI-Codi, o brutal braço repressivo do regime militar, um dado dia, em vez de apreender um contrabando, passou a dedicar-se a ele e, em seguida, a outras atividades ilegais, já fora do Exército.
Claro que qualquer pessoa, em qualquer profissão, pode um dia tomar o caminho do crime. Mas o que funcionou como poderoso estímulo ao “capitão” Guimarães foi a licença dada pela ditadura para que o aparelho repressivo (Forças Armadas e polícias) prendesse arbitrariamente, torturasse livremente, matasse e/ou fizesse desaparecer cidadãos.
Quando se permite ou até se estimula a violação da lei, em nome da defesa do Estado, fica implícito que agentes do Estado podem violar outras leis para proveito próprio. É assim que se fabricam “capitães” Guimarães, foi assim que se ampliou a corrupção no aparelho policial em geral. Mais detalhes -e abundantes detalhes- estão nos imperdíveis livros de Elio Gaspari sobre o ciclo militar.
Claro que a insegurança e o crescimento do crime organizado não se devem exclusivamente a esse fator. Mas é igualmente claro que, em matéria de insegurança, a ditadura é parte do problema, jamais parte da solução.
É verdade que a democracia não resolveu o problema. Ao contrário, foi durante a sua vigência que ele se tornou mais agudo. Mas a resposta não pode ser o retrocesso. A resposta é mais democracia, não menos democracia. Mais democracia envolve mais envolvimento do cidadão, hoje anestesiado. Dá trabalho, mas não tem substituto.

(Postado por Hind Fil Tel)

Projeto abortado este aqui.

RUY CASTRO

Irretocável
RIO DE JANEIRO – O boêmio carioca Roniquito de Chevalier cruzou certa vez (anos 70, por aí) com o cronista Fernando Sabino à porta do restaurante Antonio’s. Um entrava, outro saía. Prevendo uma falseta, Fernando tentou fugir, mas era tarde. Roniquito, queixo para o céu, cortou-lhe a passagem e disse alto: “Fernando, quem escreve melhor? Você ou o Nelson Rodrigues?”. Fernando, maroto, contemporizou: “Ora, Roniquito. O Nelson, claro”. Mas Roniquito fulminou-o assim mesmo: “E quem é você para julgar Nelson Rodrigues?”.
Não era bem o caso do querido Fernando, mas entendo o radicalismo de Roniquito. Certos elogios servem mais a quem os faz do que a quem os recebe. Quando leio alguém classificar um livro, disco ou filme como “irretocável” ou “irrepreensível”, lamento não usar chapéu. Se usasse, poderia tirá-lo para quem está em posição de aplicar tais classificações a obras de arte.
Claro -pois essa posição é a de quem está num plano superior, de quem olhou tudo de cima e não achou nenhum defeito para retocar ou repreender. Afinal, quem pode dizer que “O Processo”, de Kafka, é “irrepreensível” ou “irretocável” exceto outro Kafka? Mas a pessoa que se julga capaz de definir tão soberanamente a perfeição de uma obra está se colocando acima do autor dela, não?
Pensando bem, não. No fundo, esses são apenas clichês da crítica. Leitor do nosso “jornalismo literário” -mais literário do que jornalístico-, já vi tais classificações aplicadas a uma gama que vai da “Cavalgada das Valquírias”, de Wagner, a um show de Sandy & Junior, e de “Macbeth” a “Tartarugas Ninja – O Retorno”. Não será surpresa se alguém escrever que “300″ é “irretocável”, como se falasse da capela Sistina.
A qual, aliás, costuma ser retocada de séculos em séculos.


“Enquanto isso, no lustre do castelo…”

iequetingueleguelê

"...Xanduzinha, que vergonha Espezinharam-na-fulô E chegou um chamego chamado pop Ah, puta que pariu, Bate funk bate folk Ah, puta que pariu Bate estaca, bate rock Ah, puta que pariu..."

Tic Tac Tic Tac…

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Olha só meu mais novo pecadinho!