Hesse, Hermann. 1955

Que formoso era seu rosto, que celestial estava ao dizer isto! Nos olhos frios e claros flutuava uma tristeza de quem sabe; aqueles olhos pareciam já ter sofrido todas as dores imagináveis e aquiescido nelas. Seus lábios falavam com dificuldade, como se fala quando o frio nos intumesce o rosto; mas entre os lábios, nas comissuras da boca, no voltear da ponta de sua língua que raramente se deixava ver havia, em contradição com o olhar e a voz, uma doce sensualidade jubilosa de íntimo regozijo. Sobre a fronte serena e lisa pendia um cacho, e dali, daquele trecho da face onde pendia o anel de cabelos, manava de quando em quando, como um hálito vivo, aquela vaga semelhança de rapaz, de magia hermafrodita. Eu a ouvia cheio de angústia e, no entanto, como aturdido, como meio ausente.
- Você gosta de mim- prosseguiu- pelos mesmos motivos que já lhe disse: consegui romper a sua solidão, porque o arranquei das próprias portas do inferno e consegui despertá-lo. Mas quero algo mais de você, muito mais. Quero que você se apaixone por mim. Não, não me interrompa, deixe-me falar! Você me aprecia muito, já sei, e está agradecido, mas ainda não está apaixonado por mim. Quero que você fique e isso faz parte do meu plano. Só vivo para que os homens se apaixonem por mim. Mas, preste atenção, não faço isso por achar você encantador. Eu não estou mais apaixonada por você, Harry, do que você por mim. Mas necessito de você como você necessita de mim. Necessita de mim agora, neste momento, porque está desesperado e necessita de alguém que o empurre para a água que lhe devolverá a vida. Precisa de mim para ensiná-lo a dançar, a rir, a aprender a viver. Mas eu não preciso de você hoje, e sim mais tarde; para algo muito importante e maravilhoso. Quando você estiver apaixonado eu lhe darei minha última ordem e você terá de obedecer, e isso será proveitoso tanto para você quanto para mim.
Consertou na jarrinha uma das orquídeas violeta-escura de hastes esverdeadas; inclinou o rosto um momento e olhou fixamente para a flor.
- Não lhe será fácil, mas terá de fazê-lo. Terá de cumprir a minha ordem: terá de matar-me! É isso. Agora, não me pergunte mais nada!
Com os olhos ainda fitos na orquídea, emudeceu; o rosto distendeu-se-lhe como um botão que floresce e, de súbito, apareceu um sorriso encantador em seus lábios, ao passo que os olhos permaneceram fixos e alheios por uns instantes. Logo ergueu a cabeça movendo o pega-rapaz, bebeu um gole d’água, deu-se conta de que estávamos jantando e inclinou-se sobre o prato com alegre apetite.

Beleza!

Só coisas bonitas… O tempo todo… Ui… Ui…

Uma jujuba para quem adivinhar em qual personagem me projetei.

Tá, uma cerveja para quem adivinhar.

[...cri cri cri cri...]

…mas é o que eu sempre digo!

Quando eu canto, que se cuide quem não for meu irmão
O meu canto, punhalada, não conhece o perdão
Quando eu rio

Quando eu rio, rio seco como é seco o sertão
Meu sorriso é uma fenda escavada no chão
Quando eu choro

Quando eu choro é uma enchente surpreendendo o verão
É o inverno, de repente, inundando o sertão
Quando eu amo

Quando eu amo, eu devoro todo meu coração
Eu odeio, eu adoro, numa mesma oração, quando eu canto

Mamy, não quero seguir definhando sol a sol
Me leva daqui, eu quero partir requebrando rock’n roll

Nem quero saber como se dança o baião
Eu quero ligar, eu quero um lugar
Ao sol de Ipanema, cinema e televisão

Crisis, Cris. 2009

Não parece, mas é fácil se acostumar com vinho bom, sabe?

A Festa da Menina Morta

Com bafo de cachaça e muita câmera na mão.

Seixas, Raul. Dia desses.

“Você já foi ao espelho, nego? Não?! Então, vá!”

Rasga.

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril

Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora…”

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

“Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa”

Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial

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“Enquanto isso, no lustre do castelo…”

iequetingueleguelê

"...Xanduzinha, que vergonha Espezinharam-na-fulô E chegou um chamego chamado pop Ah, puta que pariu, Bate funk bate folk Ah, puta que pariu Bate estaca, bate rock Ah, puta que pariu..."

Tic Tac Tic Tac…

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Olha só meu mais novo pecadinho!